terça-feira, 23 de julho de 2013

Inverno da Alma

         

Dia frio. O vento corta minha face, feito machado em salgueiro virgem. E meu coração se fecha, levado pelo clima enregelante.
          Desde que você se foi, nada mais tem vida. Os pássaros não mais chirleiam, a água já não mais corre, os beija-flores já não batem mais suas asas trocentas vezes por segundo.
          O inverno se instalou em minh'alma, e minha flor murchou. O amor parou, quase que por completo. Feito estalactite. E a saudade pinga, e pinga, e pinga...  

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Diferes



           As pessoas são invenções maravilhosas. Todas elas. Deus realmente caprichou quando resolveu fazê-las. Se somos imagem e semelhança do Criador, me sinto deveras contente. Por saber, então, que nem  mesmo Deus é perfeito.
       É muito rico que as pessoas sejam diferentes umas das outras. É crescimento, aprendizado, evolução. Se sua sexualidade é vivenciada de maneira diferente à minha,  por exemplo, a mim é apenas um sinal de que você nasceu com uma força interna que nos difere. E eu só consigo pensar que podemos aprender muito com isso. Adoro saber que não somos todos iguais.
          Nossa cor de pele pode não ser igual, ou nosso credo religioso. Você pode até mesmo não acreditar em Deus. Não vou gostar menos de você. Não por isso. Acho realmente lindo, e engrandecedor que o mundo seja essa miscelânia de culturas, comportamentos e estilos de vida.
          Eu posso aprender com você. Você pode aprender comigo. Eu posso até me imaginar vivendo como você, e vice-versa. É a riqueza da alteridade. Como é bom poder viver em sociedade!
          E como sociedade, acredito que não devemos ser iguais, não necessariamente, nem mesmo perante a lei. Somos diferentes, portanto, precisamos de caminhos diferentes, pra que sejamos tratados com a mesma justiça. Isso é ser único e ser geral ao mesmo tempo.
          Dito isso, quero que você não faça vista. Saia já de onde está e venha logo me conhecer, se ainda não me conhece. Quero muito estar com você, e ter o prazer de crescer contigo.   

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Criativo

       

             Arte. Algo legal de se fazer. Ao menos, penso que deve ser. Deixar suas impressões num pedaço de argila, num tronco de madeira, no branco de uma tela sem cor, nas linhas de um livro a escrever.
          A arte deve vir do âmago. Deve ser exorcizante, excitante, orgástica. Deve dar alegria depois de feita, mesmo que fale de coisas tristes.
          Eu, particularmente, me sinto bem escrevendo. Não sei pintar, nem bordar, menos ainda esculpir. Mas acho que me viro bem com as palavras. Em prosa ou verso. Se bem que. com a poesia, me sinto mais criativo.
          A poesia está nas curvas de um sorriso, no esvoaçar de cabelos ao vento, no canto de uma ave esquálida e desengonçada, no abraço carinhoso de um pai. Vejo poesia até mesmo no cachorro, que enterra seu presentinho na areia do parque. Adubo orgânico. E poético.
          Quando estou apaixonado, então, é um poema a cada espirro. Ou a cada suspiro. Ou melhor, a cada piscadela de olhos. Amando, me sinto quase que um Neruda, com traços de Drummond. Sonho.
          E o que alimenta mais a poesia do que o sonhar? Acho melhor eu parar por aqui, antes que, de parágrafos, se façam estrofes. E que nunca consigamos viver sem arte.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dramático




          Acordei meio de bode com uns certos assuntinhos, aí. Fiquei sabendo que amigões meus foram acampar e nem me chamaram. Amigos de longa data mesmo, os quais chamo, pra todos os eventos.
          Fiquei um pouco chateado por ter sido esquecido. E a história deu pano pra manga, o que me fez ter a ideia de escrever sobre amizade. Não sou do tipo ciumento, ou possessivo. Nem com amizade e nem com namorado. Mas sou canceriano, sou dramático, sentimental. Não conseguiria não dizer nada a esses tais amigos.
          Eu os amo, de coração. E esse amor não minorou por conta dessa bobagem, é claro. Certo é que nenhum amor sobreviveria sem arranca-rabos. Seria pasmaceira, inação. E qual é a graça disso?
          Amor de amigo é aquele que te ensina. É aquele que te diz a verdade. É aquele amor que te magoa, mas que te acaricia depois. É aquele amor que gargalha convulsivamente, quando vê você se estabacar no chão, mas que é o primeiro a lhe estender a mão e lhe reerguer.
          A Jackie ficou magoada por eu ter manifestado minha chateação. O Walter me pediu desculpas desnecessárias. E eu me senti um completo pateta (risos). Diminuindo o dramalhão, espero que compreendam que meu mal é amar demais, e querer de volta amor na mesma medida - vulga carência. Mas nem sempre isso acontece. E nem sempre é de todo ruim, também.
          Que consigamos canalizar melhor nossos sentimentos, e parar de bobagem. É uma dádiva eu ter tantos, e tão queridos amigos, perto de mim. Mas "ai" de vocês se me esquecerem, no próximo camping! :P

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Na sua cara!



          Outro dia me peguei discutindo com uma enrrustida, amiga da minha irmã. Chamemos ela, aqui, de Jabu. Não de jaburu, mas de jabuticaba. Rs. Seria indelicado revelar seu nome, ou mesmo, seu apelido.
          A discussão começou quando Jabu resolveu manifestar sua opinião (mesmo sem eu ter pedido) sobre eu ter colocado na minha página do Facebook, que estou em um relacionamento sério. Tudo bem que, pra ele ter me dado tal opinião, eu devo ter transparecido que dei liberdade, espaço. Mas, creio eu, que ele foi meio longe em suas deliberações.
          Ele tem seu modo de pensar, a respeito de assumir sua condição sexual, perante a sociedade. Eu tenho a minha. São díspares. É claro que iríamos discutir.
          Primeiro, ele veio me falar que achava feio eu colocar isso numa rede social, que aqui é uma cidade pequena, que as pessoas iriam falar, e tal. Eu procurei mostrar a ele que não tinha feito isso pra chamar a atenção. O fiz simplesmente porque eu e meu namorado entramos num consenso a respeito. E numa cidade pequena as pessoas sempre falam, seja você gay ou não. Há muito deixei de me preocupar deveras com isso.
          Jabu se desculpou, por estar parecendo intrometido, as acrescentou que, independentemente de eu ter uma opinião formada sobre o assunto, eu deveria pensar na minha família, que é o meu esteio. No que eles diriam, se ficariam chocados, e tal. Eu respirei, e respondi a ele novamente que minha intenção nunca foi atacar ou ferir ninguém. Só quiz  compartilhar com os que amo um dos motivos de minha felicidade.                 Deixei claro que as pessoas realmente importantes na minha família são meus pais e minha irmã. Minha mãe e minha irmã são super tranquilas a esse respeito. Meu pai mal sabe o que é Internet. Portanto, estava tudo bem.
          Não contente, a encubada novamente revidou, dizendo que, apesar de meu pai não conhecer Internet, ele era maçom. E seus amigos maçons tinham filhos , que conheciam a Internet, e que, de uma forma ou de outra, isso chegaria aos ouvidos de meu pai. Dessa vez eu suspirei duas vezes, fiz uma pausa de sete segundos, e lhe respondi da seguinte maneira: Eu sou gay, isso é fato. Meu pai não é completamente a favor disso, isso é outro fato. Mas se isso traz dissabor, o problema não é comigo. É com ele. E eu não me culpo por qualquer constrangimento.
          E outra. Não vejo muita diferença entre dizerem a meu pai, em tom de crítica: "Nossa, seu filho é viadinho!", ou "Nossa, seu filho viadinho assumiu na net que ta namorando!". Se for pra ficar incomodado, ele ficará de qualquer forma. Nessa hora, eu repeti a Jabu que não tinha feito nada pra causar.
          Outras frases foram trocadas, até que eu, internamente, me irritei, e disse que de nada adiantaria debatermos, já que não mudaríamos de opinião. Não transpareci me sentir incomodado, mas a verdade é que me senti, e esse texto é prova disso.
          É lindo que as pessoas tenham liberdade de manifestar suas opiniões, mas elas devem ter em mente aquela antiga frase, que diz que sua liberdade termina no exato ponto onde começa a liberdade do outro. É por não respeitarem a essa premissa é que hoje, tudo o que diz respeito aos homoafetivos permanece como tabu.