terça-feira, 10 de setembro de 2013

ERÓTICA

Aviso aos navegantes: As linhas que se seguem abaixo, tratam de uma experiência sexual, erótica, que quiz estruturar na forma de um conto, em primeira pessoa. Quem não gostar da temática, favor, parar por aqui, ok? Tentei usar de um vocabulário mais extenso e menos lambão do que usualmente se encontra, em alguns sites. A quem ler, espero que gostem. 



       Primeiro, eu vou te beijar. Com calma, fazer carinho em você, te deixar todo arrepiado. Passar minha barba no seu rosto, no seu pescoço, morder seus lábios, de leve...
    Daí, eu vou pegar você, te virar de costas contra a parede,e ficar esfregando o meu pau na sua bunda, a gente ainda de roupa. E então, eu vou tirar a sua camisa, devagar. Lamber e arranhar as suas costas, fazendo seu pau ficar cada vez mais duro, e molhado.
    Vou descer um pouco a sua calça, e a minha. Você de cuequinha branca, cavada. A minha, boxer, de um vermelho vivo. Já pensou? Eu apertando a sua bunda, bem gostoso, esfregando o meu pau nela, agora cueca com cueca, enquanto mordo e lambo sua orelha, esfrego meu queixo na sua nuca...
      E então, descerei sua cueca até os tornozelos, me ajoelharei, e morderei seu bumbum,em cada pedacinho, dos dois lados,te deixando marcadinho, bem de leve. Enquanto massageio suas nádegas, vou separando-as com carinho, e começo a meter meu nariz no teu cu. Começo a mordê-lo, lambê-lo, chupá-lo, enquanto você geme de tesão, e diz que sou teu macho, e que és meu.
       Nesse momento, você não aguenta conter o frisson, e me joga na cama. Arranca minha cueca com a boca,e começa a me chupar, ferozmente. Roçando sua barba no meu saco, me fazendo gemer alto. E eu mandando você engolir tudinho...
        Você me chupa enlouquecidamente, até que, depois de engolir com força, bastante, começa a fazer carinho nos meus testículos, uma massagem bem demorada e gostosa. Enquanto baba na minha glande, passa a língua na cabecinha, fazendo meu pau pulsar ainda mais de tesão.
        E então eu também não me contenho mais, e viro você de ponta-cabeça. Massageio seu pau, enquanto você me chupa. Ponho ele na boca, e ficamos nós dois, nos chupando, e fodendo um a boca do outro, que nem dois loucos. Os gemidos abafados pelos conteúdos deliciosos entre nossos lábios. É quando paramos de nos chupar, pra não gozarmos um na boca do outro. Não agora, agora não.
          Agora o que eu faço é virar você, com o bumbum pra cima,e deitar. Jogar meu corpo sobre o seu. Começo a me esfregar em você de novo, dessa vez com mais força. Arranhando suas costas, descendo a boca, mordendo seu bumbum. Deixando você doidinho, a rebolar sob mim, antes mesmo de eu começar a meter.
           Eu monto em cima das suas costas, e aos poucos vou virando você. Até eu ficar sentado em cima do seu peito. Com o pau babando no seu pescoço, pertinho do seu queixo. E então, você faz um contorcionismo danado, e começa a me chupar, deliciado. Eu ponho as minhas mãos na parede, levanto um pouco o corpo, e volto a meter na sua boca, Afundando meu pau até sua garganta.
          Depois de uns cinco minutos, você vira e me diz com carinho, que tá com muita vontade de me dar seu cu, naquele instante. Fica ajoelhado, com as mãos na parede, se vira, e vai massageando meu pau, enquanto cuspo no seu cu, lubrificando essa deliciazinha com minha saliva.
          E eu começo a encostar só a cabecinha, brincando de meter. Fodendo só a entradinha, sem enfiar tudo. Você fica impaciente e pede pra eu meter de uma vez.Eu te olho com cara de safado e te peço calma. Me levanto, coloco o preservativo, e começo a lubrificar meu pau, assim como sua rosquinha peluda gostosa. Ponho você de frente pra mim, com um travesseiro entre a cintura e as costas, e vou metendo devagar, de frango assado. Vendo sua cara de puto, olhando pra mim, com os olhos brilhando. Pedindo rola, pedindo carinho...
          E então eu enfio tudo de uma vez. Você grita. Eu te olho, assustado,querendo retroceder, mas você puxa o meu rosto e me dá um beijo apaixonado. Bem forte, bem másculo. Homem pra homem, macho pra macho. E eu vou metendo, agora com mais calma, com mais carinho. Você põe os pés no meu peito, e começa a tomar conta da situação. Rebolando no meu pau, sentindo cada pedacinho de mim fazer parte de ti. Contraindo seu esfícter e me deixando entregue, seu refém. Tirando e colocando o meu cacete, o quanto você quizer.
          E de repente, você chuta o meu peito, e meu pau sái de uma vez do teu cu. Você me deita e começa a me masturbar como nunca antes. E eu pego teu pau também, brincando entre seu cu e seu saco. Viramos de novo de ponta cabeça, e recomeçamos o boquete. Desenfreadamente, descontroladamente, e entregues. Quando aviso que estou quase gozando, você se deita, e pede que eu sente de novo no seu peitoral. Pede pra eu gozar na sua cara, demonstrar que és meu, te marcar. Entre gemidos e carícias, eu gozo, instantes antes de você. Minha porra se espalha no teu queixo, no teu rosto, no teu peito... Você não se aguenta e goza também, nas minhas costas. Tão forte, que me assusto, quando sinto teu fluido na minha pele. Nesse milésimo de segundo, o universo é só nosso. Meu desejo, provocado pelo teu desejo, com um desfecho colossal. Enquanto recuperamos o fôlego, vamos nos levantando, revigorados. Caminhando rumo ao banheiro, pra nos lavarmos. E talvez lá outra história possa vir a desenrolar-se.
          É assim que imagino nossa primeira noite de amor.
        
        

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FRASEADO

        

  Como é de praxe, acordei com uma imensa vontade de escrever. Por vezes, me vem uma ideia, mas por preguiça de pegar folha e papel, deixo-a fugir. Hoje não. Hoje me veio a vontade de frasear. Em papel, ou mesmo em tela de notebook. Mas frasear sobre o que? De tantas temáticas posso dispor!
          Gosto de escrever por mil motivos. O mais sutil de todos, é pra ver como as vogais e consoantes se pegam nas mãos, formando o arranjo simples e genial, que é o vocábulo. E de vocábulo em vocábulo, cria-se a oração, a frase. Frase a frase engatilha-se o parágrafo. O texto, o poema. A ode. Pode?
          O intuito principal e final é o comunicar. Fico imensamente feliz, pelos primatas terem evoluído, e num atmo terem parido a linguagem, e depois, a língua. E como é sempre linda! Ajudando-nos a descrever bons momentos, explicitar sentimentos.
          Que bom é poder sempre dispor do verbo, quando preciso. Nem quero mais escrever sobre outro assunto, agora. Acabei por fazer metalinguagem sem nem querer.
          

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AMOR



De sua vida sem gosto, fez-se algo agridoce.
De uma tela sem cor, pintou-se uma aquarela.
De um dia sem viço, se fez solstício de verão.
De uma vida amargurada, transbordou compaixão.
No momento sublime do cruzar de meus olhos com os seus.

De um idoso acamado, fez-se bailão da terceira idade.
De um diário em branco, se fez um livro ardiloso.
De um jovem deitado no sofá, se fez um louco, remexendo e se levantando animado, ao som de "That Thing You Do".
De um dia de puro pranto, fez-se o gargalhar, de um menino brincando com os amigos de jogo do improviso.
E já lhe aviso: o que mais quero da vida é amar.

De um salão vazio, fez-se o estralar de pés batendo ao chão.
Belo sapateado.
De um terreno baldio e sem flor, fez-se o sublime e encantando jardim secreto.
Feito o do filme de minha infância.
Do seu sorriso tiro toda a insconstância.
Do tremular e do marejar que provocas em mim.

Te amo.
E que aqui fique dito.
Amar é melhor que bailar.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

I'M A DIVA!

          

Outro dia, parei pra pensar sobre a música pop. Cultura de massa, que não deixa de ser arte. Particularmente, parei pra pensar sobre a música pop internacional, mais especificamente ainda, sobre as divas do pop music, e o fanatismo de alguns fãs.
          Cher, Madonna, Britney, Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Katy Perry. E mais recentemente, Demi Lovato, Miley Sirius e Selena Gomez. Todas elas fazem um sucesso muito grande, principalmente entre os jovens, e o público LGBT. Eu mesmo gosto muito de várias delas.
          O que eu acho insano, e de uma imbecilidade tremenda, é a guerra que se cria, a priori, pelos fãs, entre essas divas. Little Monsters xingando Britney, B-armys criticando Gaga. A troco de que?
          É certo que essa competição alimenta as vendagens de discos, e a indústria da música. Competição existe em todos ramos profissionais, mas ela não precisa ser baixa, ou desleal.
Sei também que muitos desses símbolos teens alimentam, eles mesmos essa ira e essa competição entre os fãs de um e outro. Adoram esse frisson, esse "bafão" que se cria. Mas acho que eles não ganham muito mais do que ganhariam com uma competição amistosa. 
          Penso que, qualquer arte, em seu princípio, deve servir para aproximar pessoas, criar cultura, e não para separar. A arte é onde o homem imprime suas emoções, seu modo de pensar o mundo, sua ira, sua alegria, sua tristeza, pra a partir daí, criarem-se conexões, entre os afins. Mas o fim é a união, e não a discórdia. A arte é o todo numa coisa só.
          Sinceramente, a mim não faz a menor diferença, se a Rihanna, que é a minha favorita, tem o cabelo mais viçoso ou mais pixaim do que o da Beyoncé. A mim basta que ela continue fazendo boa música. E que me encante. Esse, pra mim, é o sentido de se fazer arte.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Grude

         

           Por vezes, amamos demais, sem perceber. E só nos damos conta quando o objeto amado regurgita, na explosão de um desabafo outrora sufocado. Como perceber e controlar a medida certa de devotar amor?
          Cada um ama à sua maneira, em seu ritmo e em seu compasso. Talvez se eu tivesse que amar a ti, da maneira que lhe contenta, isso não me contentaria. Eu não me sentiria satisfeito. Difícil entrar num consenso.
          Triste é quando você faz algo pra agradar, pra minorar o sofrimento de alguém, e acaba levando um coice. A intenção aí, não era amar demais, ou sufocar. Era mesmo pura preocupação, por carinho, aconchego. Mas como cobrar que a pessoa entenda, se noutrora, você foi deveras sufocante?
          Dúvida inglória! Mais fácil seria se tivéssemos nascido auto-suficientes, nesse sentido




domingo, 4 de agosto de 2013

Vazio

       

   Na nossa vida, existem pessoas especiais. Pessoas essas que queremos sempre por perto. Pessoas que amamos, e que nos amam, em recíproca. Pessoas que queremos que respondam a todos os nossos anseios. Queremos amigo, queremos namorado, queremos marido. Queremos amor.
          Mas, nem sempre o que queremos acontece. Nem sempre o amor é retribuído na mesma medida. Pelo menos, não do nosso ponto de vista.
          Você deixa a vida te levar, mas nem sempre isso é bom. É certo que talvez outras pessoas maravilhosas apareçam, e você também maravilhe a vida de novas pessoas. Mas pode ser que ainda assim fique uma lacuna...

sábado, 3 de agosto de 2013

Outro Desabafo (Texto escrito em 27/05/2013)

          


          Gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Foi dessa frase que me lembrei hoje cedo, logo após ter acordado, meio assustado, ao som de uma melodia harmônica de sinos. Não sei bem se os sinos vinham de um sonho ou não, mas junto dele, eu escutei alguém gemendo baixinho. Alguém que parecia chorar. Logo depois percebi que era uma oração, uma quase silenciosa prece.
          Só mais tarde fui saber que era minha mãe, rezando, no quarto ao lado. E os sinos? Bem. Desses eu não faço ideia. Eu não perguntei, mas tenho certeza de que minha mãe rezava para que eu melhorasse. Todos querem muito que eu melhore. Aliás, ninguém o quer mais do que eu. Eu não aguento mais isso. E não consigo deixar de me culpar pelo sofrimento que, indiretamente, causo a todos que amo. Minha mãe, meu pai, minha irmã, meus amigos, meu amor... ...sinto falta de conseguir expressar o afeto que sinto por todos eles.
          Já disse aqui o quanto a depressão te anestesia, te entorpece. As emoções positivas estão lá, mas não conseguem sair. A tristeza as sobrepuja. Nisso, você sente que suas relações se congelam. E parece que, se você não melhorar logo, elas derreterão, e desaparecerão para sempre. É desesperador. Você lembra com imenso saudosismo de todos os seus relacionamentos, como se eles estivessem longínquos, inalcansáveis.
          A parceria linda com minha irmã. Nós dois morando juntos, sempre dando tão certo. Era praticamente uma vidinha de casados, como diriam alguns. As cervejadas no fim de semana, com a Renata, a Larissa, a Tamyres. A minha implicância com a vizinha folgada. Parece tudo ter sido em outra vida.
          A cumplicidade com minha mãe. Parece ter ficado ali, perdida em algum lugar. Ela sempre viajava pra minha casa, pra relaxar, fugir da correria. Era tão bom! E eu sempre querendo leva-la na boite gay. Pena que não fomos.
          Meu pai. É inegável que já tivemos nossos desentendimentos e dissabores. Normal. Mas, definitivamente, ele me ama muito. Não que eu duvidasse disso, mas é que ele tem sido tão carinhoso, preocupado. Sinto que, apesar de estar doente, nós dois já superamos todas as nossas diferenças. Tenho certeza de que ele aceitaria que eu morasse com meu namorado em sua casa, se fosse pra me ver bem. Eu amo muito meu pai.
          Tomara que, se derretidas, essas relações não se evaporem.

          

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Desistes?

          



          Sim. Eu tenho medo da morte. Por isso, encaro o suicídio como um ato de coragem, extrema coragem. E não de covardia, como muitos dizem.Consideravelmente, é um gesto de fraqueza, pois pra se tentar dar cabo da própria vida, a pessoa deve estar verdadeiramente doente. Mas não por isso deixa de ser um gesto corajoso.
          Quem se mata não é um covarde. Não quer simplesmente aparecer ou "fazer drama". Muita dor já dilacerou a alma dessa pessoa. Ela já não aguenta mais tanto sofrimento. Ela só quer que toda a tortura mingue, e vá embora de vez. E quando todas as terapias, todas as anfetaminas e valiuns  já não mais adiantam, a vida não parece um preço muito caro a pagar. Deixe que o corpo vá, desde que a dor vá junto.
          Não é que eu esteja defendendo, fazendo apologia ao suicídio. Só estou dizendo que entendo, com um certo conhecimento de causa, quem tenta cometê-lo. Já tentei me matar, não nego. Mas, por Deus, não tive coragem o suficiente para consegui-lo.
          As pessoas que não entendem, talvez pensem que o suicida não leva em consideração aqueles que o amam, o quanto as faria sofrer, e tal. Mas essa não é exatamente a questão. A depressão é uma doença  muito traiçoeira. É como se você estivesse entorpecido. A tristeza é tão avassaladora e massacrante, que domina todos os outros sentimentos. O carinho, o amor, a alegria. Eles estão lá, mas a tristeza os sufoca. Em condições normais, é claro que ninguém faria nada que magoasse as pessoas que ama. Mas a depressão não é uma delas. 
          Se você não consegue nem mesmo se amar, vivendo numa sobre-vida; se essa faceta obscura dizima o seu verdadeiro eu; se você não mais se reconhece, se sente imensas saudades do seu "eu" de antes, aquele feliz, a sua morte não parece, a você, algo tão ruim. As pessoas não iriam sentir falta deste ser. E sim, do outro, do qual você também sente muitas saudades. Doentes, pensamos ser impossível nos livrarmos de um, sem que o outro vá junto.
          Quando estive doente, terapia ocupacional ajudava. Escrever e ouvir boa música também me faziam sentir-me melhor. Medicação constante e disciplina, para que os bons humores permitam-se sair, de onde foram obrigados a se esconder. O difícil é que nesse pique, não existem cartas-brancas.
          

terça-feira, 23 de julho de 2013

Inverno da Alma

         

Dia frio. O vento corta minha face, feito machado em salgueiro virgem. E meu coração se fecha, levado pelo clima enregelante.
          Desde que você se foi, nada mais tem vida. Os pássaros não mais chirleiam, a água já não mais corre, os beija-flores já não batem mais suas asas trocentas vezes por segundo.
          O inverno se instalou em minh'alma, e minha flor murchou. O amor parou, quase que por completo. Feito estalactite. E a saudade pinga, e pinga, e pinga...  

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Diferes



           As pessoas são invenções maravilhosas. Todas elas. Deus realmente caprichou quando resolveu fazê-las. Se somos imagem e semelhança do Criador, me sinto deveras contente. Por saber, então, que nem  mesmo Deus é perfeito.
       É muito rico que as pessoas sejam diferentes umas das outras. É crescimento, aprendizado, evolução. Se sua sexualidade é vivenciada de maneira diferente à minha,  por exemplo, a mim é apenas um sinal de que você nasceu com uma força interna que nos difere. E eu só consigo pensar que podemos aprender muito com isso. Adoro saber que não somos todos iguais.
          Nossa cor de pele pode não ser igual, ou nosso credo religioso. Você pode até mesmo não acreditar em Deus. Não vou gostar menos de você. Não por isso. Acho realmente lindo, e engrandecedor que o mundo seja essa miscelânia de culturas, comportamentos e estilos de vida.
          Eu posso aprender com você. Você pode aprender comigo. Eu posso até me imaginar vivendo como você, e vice-versa. É a riqueza da alteridade. Como é bom poder viver em sociedade!
          E como sociedade, acredito que não devemos ser iguais, não necessariamente, nem mesmo perante a lei. Somos diferentes, portanto, precisamos de caminhos diferentes, pra que sejamos tratados com a mesma justiça. Isso é ser único e ser geral ao mesmo tempo.
          Dito isso, quero que você não faça vista. Saia já de onde está e venha logo me conhecer, se ainda não me conhece. Quero muito estar com você, e ter o prazer de crescer contigo.   

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Criativo

       

             Arte. Algo legal de se fazer. Ao menos, penso que deve ser. Deixar suas impressões num pedaço de argila, num tronco de madeira, no branco de uma tela sem cor, nas linhas de um livro a escrever.
          A arte deve vir do âmago. Deve ser exorcizante, excitante, orgástica. Deve dar alegria depois de feita, mesmo que fale de coisas tristes.
          Eu, particularmente, me sinto bem escrevendo. Não sei pintar, nem bordar, menos ainda esculpir. Mas acho que me viro bem com as palavras. Em prosa ou verso. Se bem que. com a poesia, me sinto mais criativo.
          A poesia está nas curvas de um sorriso, no esvoaçar de cabelos ao vento, no canto de uma ave esquálida e desengonçada, no abraço carinhoso de um pai. Vejo poesia até mesmo no cachorro, que enterra seu presentinho na areia do parque. Adubo orgânico. E poético.
          Quando estou apaixonado, então, é um poema a cada espirro. Ou a cada suspiro. Ou melhor, a cada piscadela de olhos. Amando, me sinto quase que um Neruda, com traços de Drummond. Sonho.
          E o que alimenta mais a poesia do que o sonhar? Acho melhor eu parar por aqui, antes que, de parágrafos, se façam estrofes. E que nunca consigamos viver sem arte.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Dramático




          Acordei meio de bode com uns certos assuntinhos, aí. Fiquei sabendo que amigões meus foram acampar e nem me chamaram. Amigos de longa data mesmo, os quais chamo, pra todos os eventos.
          Fiquei um pouco chateado por ter sido esquecido. E a história deu pano pra manga, o que me fez ter a ideia de escrever sobre amizade. Não sou do tipo ciumento, ou possessivo. Nem com amizade e nem com namorado. Mas sou canceriano, sou dramático, sentimental. Não conseguiria não dizer nada a esses tais amigos.
          Eu os amo, de coração. E esse amor não minorou por conta dessa bobagem, é claro. Certo é que nenhum amor sobreviveria sem arranca-rabos. Seria pasmaceira, inação. E qual é a graça disso?
          Amor de amigo é aquele que te ensina. É aquele que te diz a verdade. É aquele amor que te magoa, mas que te acaricia depois. É aquele amor que gargalha convulsivamente, quando vê você se estabacar no chão, mas que é o primeiro a lhe estender a mão e lhe reerguer.
          A Jackie ficou magoada por eu ter manifestado minha chateação. O Walter me pediu desculpas desnecessárias. E eu me senti um completo pateta (risos). Diminuindo o dramalhão, espero que compreendam que meu mal é amar demais, e querer de volta amor na mesma medida - vulga carência. Mas nem sempre isso acontece. E nem sempre é de todo ruim, também.
          Que consigamos canalizar melhor nossos sentimentos, e parar de bobagem. É uma dádiva eu ter tantos, e tão queridos amigos, perto de mim. Mas "ai" de vocês se me esquecerem, no próximo camping! :P

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Na sua cara!



          Outro dia me peguei discutindo com uma enrrustida, amiga da minha irmã. Chamemos ela, aqui, de Jabu. Não de jaburu, mas de jabuticaba. Rs. Seria indelicado revelar seu nome, ou mesmo, seu apelido.
          A discussão começou quando Jabu resolveu manifestar sua opinião (mesmo sem eu ter pedido) sobre eu ter colocado na minha página do Facebook, que estou em um relacionamento sério. Tudo bem que, pra ele ter me dado tal opinião, eu devo ter transparecido que dei liberdade, espaço. Mas, creio eu, que ele foi meio longe em suas deliberações.
          Ele tem seu modo de pensar, a respeito de assumir sua condição sexual, perante a sociedade. Eu tenho a minha. São díspares. É claro que iríamos discutir.
          Primeiro, ele veio me falar que achava feio eu colocar isso numa rede social, que aqui é uma cidade pequena, que as pessoas iriam falar, e tal. Eu procurei mostrar a ele que não tinha feito isso pra chamar a atenção. O fiz simplesmente porque eu e meu namorado entramos num consenso a respeito. E numa cidade pequena as pessoas sempre falam, seja você gay ou não. Há muito deixei de me preocupar deveras com isso.
          Jabu se desculpou, por estar parecendo intrometido, as acrescentou que, independentemente de eu ter uma opinião formada sobre o assunto, eu deveria pensar na minha família, que é o meu esteio. No que eles diriam, se ficariam chocados, e tal. Eu respirei, e respondi a ele novamente que minha intenção nunca foi atacar ou ferir ninguém. Só quiz  compartilhar com os que amo um dos motivos de minha felicidade.                 Deixei claro que as pessoas realmente importantes na minha família são meus pais e minha irmã. Minha mãe e minha irmã são super tranquilas a esse respeito. Meu pai mal sabe o que é Internet. Portanto, estava tudo bem.
          Não contente, a encubada novamente revidou, dizendo que, apesar de meu pai não conhecer Internet, ele era maçom. E seus amigos maçons tinham filhos , que conheciam a Internet, e que, de uma forma ou de outra, isso chegaria aos ouvidos de meu pai. Dessa vez eu suspirei duas vezes, fiz uma pausa de sete segundos, e lhe respondi da seguinte maneira: Eu sou gay, isso é fato. Meu pai não é completamente a favor disso, isso é outro fato. Mas se isso traz dissabor, o problema não é comigo. É com ele. E eu não me culpo por qualquer constrangimento.
          E outra. Não vejo muita diferença entre dizerem a meu pai, em tom de crítica: "Nossa, seu filho é viadinho!", ou "Nossa, seu filho viadinho assumiu na net que ta namorando!". Se for pra ficar incomodado, ele ficará de qualquer forma. Nessa hora, eu repeti a Jabu que não tinha feito nada pra causar.
          Outras frases foram trocadas, até que eu, internamente, me irritei, e disse que de nada adiantaria debatermos, já que não mudaríamos de opinião. Não transpareci me sentir incomodado, mas a verdade é que me senti, e esse texto é prova disso.
          É lindo que as pessoas tenham liberdade de manifestar suas opiniões, mas elas devem ter em mente aquela antiga frase, que diz que sua liberdade termina no exato ponto onde começa a liberdade do outro. É por não respeitarem a essa premissa é que hoje, tudo o que diz respeito aos homoafetivos permanece como tabu.