Gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Foi dessa frase que me lembrei hoje cedo, logo após ter acordado, meio assustado, ao som de uma melodia harmônica de sinos. Não sei bem se os sinos vinham de um sonho ou não, mas junto dele, eu escutei alguém gemendo baixinho. Alguém que parecia chorar. Logo depois percebi que era uma oração, uma quase silenciosa prece.
Só mais tarde fui saber que era minha mãe, rezando, no quarto ao lado. E os sinos? Bem. Desses eu não faço ideia. Eu não perguntei, mas tenho certeza de que minha mãe rezava para que eu melhorasse. Todos querem muito que eu melhore. Aliás, ninguém o quer mais do que eu. Eu não aguento mais isso. E não consigo deixar de me culpar pelo sofrimento que, indiretamente, causo a todos que amo. Minha mãe, meu pai, minha irmã, meus amigos, meu amor... ...sinto falta de conseguir expressar o afeto que sinto por todos eles.
Já disse aqui o quanto a depressão te anestesia, te entorpece. As emoções positivas estão lá, mas não conseguem sair. A tristeza as sobrepuja. Nisso, você sente que suas relações se congelam. E parece que, se você não melhorar logo, elas derreterão, e desaparecerão para sempre. É desesperador. Você lembra com imenso saudosismo de todos os seus relacionamentos, como se eles estivessem longínquos, inalcansáveis.
A parceria linda com minha irmã. Nós dois morando juntos, sempre dando tão certo. Era praticamente uma vidinha de casados, como diriam alguns. As cervejadas no fim de semana, com a Renata, a Larissa, a Tamyres. A minha implicância com a vizinha folgada. Parece tudo ter sido em outra vida.
A cumplicidade com minha mãe. Parece ter ficado ali, perdida em algum lugar. Ela sempre viajava pra minha casa, pra relaxar, fugir da correria. Era tão bom! E eu sempre querendo leva-la na boite gay. Pena que não fomos.
Meu pai. É inegável que já tivemos nossos desentendimentos e dissabores. Normal. Mas, definitivamente, ele me ama muito. Não que eu duvidasse disso, mas é que ele tem sido tão carinhoso, preocupado. Sinto que, apesar de estar doente, nós dois já superamos todas as nossas diferenças. Tenho certeza de que ele aceitaria que eu morasse com meu namorado em sua casa, se fosse pra me ver bem. Eu amo muito meu pai.
Tomara que, se derretidas, essas relações não se evaporem.

Eu tenho certeza de que nada derreterá e muito menos evaporará. Fique sabendo que isso é coisa da sua cabeça, se você já não sabe (acho que sabe). De qualquer forma, você parece estar tão bem, já. Eu não podia imaginar que ainda havia alguma coisa errada.
ResponderExcluirNão há, meu querido. Esse é um texto antigo, não viu? Coloquei no blog como uma forma de, sei lá, demonstrar como me sentia na época. Pode ser que ajude, sei lá, alguma pessoa que estiver passando pelo mesmo que passei, e ver que agora estou bem, e tals... compreendes?
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