segunda-feira, 19 de agosto de 2013

AMOR



De sua vida sem gosto, fez-se algo agridoce.
De uma tela sem cor, pintou-se uma aquarela.
De um dia sem viço, se fez solstício de verão.
De uma vida amargurada, transbordou compaixão.
No momento sublime do cruzar de meus olhos com os seus.

De um idoso acamado, fez-se bailão da terceira idade.
De um diário em branco, se fez um livro ardiloso.
De um jovem deitado no sofá, se fez um louco, remexendo e se levantando animado, ao som de "That Thing You Do".
De um dia de puro pranto, fez-se o gargalhar, de um menino brincando com os amigos de jogo do improviso.
E já lhe aviso: o que mais quero da vida é amar.

De um salão vazio, fez-se o estralar de pés batendo ao chão.
Belo sapateado.
De um terreno baldio e sem flor, fez-se o sublime e encantando jardim secreto.
Feito o do filme de minha infância.
Do seu sorriso tiro toda a insconstância.
Do tremular e do marejar que provocas em mim.

Te amo.
E que aqui fique dito.
Amar é melhor que bailar.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

I'M A DIVA!

          

Outro dia, parei pra pensar sobre a música pop. Cultura de massa, que não deixa de ser arte. Particularmente, parei pra pensar sobre a música pop internacional, mais especificamente ainda, sobre as divas do pop music, e o fanatismo de alguns fãs.
          Cher, Madonna, Britney, Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna, Katy Perry. E mais recentemente, Demi Lovato, Miley Sirius e Selena Gomez. Todas elas fazem um sucesso muito grande, principalmente entre os jovens, e o público LGBT. Eu mesmo gosto muito de várias delas.
          O que eu acho insano, e de uma imbecilidade tremenda, é a guerra que se cria, a priori, pelos fãs, entre essas divas. Little Monsters xingando Britney, B-armys criticando Gaga. A troco de que?
          É certo que essa competição alimenta as vendagens de discos, e a indústria da música. Competição existe em todos ramos profissionais, mas ela não precisa ser baixa, ou desleal.
Sei também que muitos desses símbolos teens alimentam, eles mesmos essa ira e essa competição entre os fãs de um e outro. Adoram esse frisson, esse "bafão" que se cria. Mas acho que eles não ganham muito mais do que ganhariam com uma competição amistosa. 
          Penso que, qualquer arte, em seu princípio, deve servir para aproximar pessoas, criar cultura, e não para separar. A arte é onde o homem imprime suas emoções, seu modo de pensar o mundo, sua ira, sua alegria, sua tristeza, pra a partir daí, criarem-se conexões, entre os afins. Mas o fim é a união, e não a discórdia. A arte é o todo numa coisa só.
          Sinceramente, a mim não faz a menor diferença, se a Rihanna, que é a minha favorita, tem o cabelo mais viçoso ou mais pixaim do que o da Beyoncé. A mim basta que ela continue fazendo boa música. E que me encante. Esse, pra mim, é o sentido de se fazer arte.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Grude

         

           Por vezes, amamos demais, sem perceber. E só nos damos conta quando o objeto amado regurgita, na explosão de um desabafo outrora sufocado. Como perceber e controlar a medida certa de devotar amor?
          Cada um ama à sua maneira, em seu ritmo e em seu compasso. Talvez se eu tivesse que amar a ti, da maneira que lhe contenta, isso não me contentaria. Eu não me sentiria satisfeito. Difícil entrar num consenso.
          Triste é quando você faz algo pra agradar, pra minorar o sofrimento de alguém, e acaba levando um coice. A intenção aí, não era amar demais, ou sufocar. Era mesmo pura preocupação, por carinho, aconchego. Mas como cobrar que a pessoa entenda, se noutrora, você foi deveras sufocante?
          Dúvida inglória! Mais fácil seria se tivéssemos nascido auto-suficientes, nesse sentido




domingo, 4 de agosto de 2013

Vazio

       

   Na nossa vida, existem pessoas especiais. Pessoas essas que queremos sempre por perto. Pessoas que amamos, e que nos amam, em recíproca. Pessoas que queremos que respondam a todos os nossos anseios. Queremos amigo, queremos namorado, queremos marido. Queremos amor.
          Mas, nem sempre o que queremos acontece. Nem sempre o amor é retribuído na mesma medida. Pelo menos, não do nosso ponto de vista.
          Você deixa a vida te levar, mas nem sempre isso é bom. É certo que talvez outras pessoas maravilhosas apareçam, e você também maravilhe a vida de novas pessoas. Mas pode ser que ainda assim fique uma lacuna...

sábado, 3 de agosto de 2013

Outro Desabafo (Texto escrito em 27/05/2013)

          


          Gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Foi dessa frase que me lembrei hoje cedo, logo após ter acordado, meio assustado, ao som de uma melodia harmônica de sinos. Não sei bem se os sinos vinham de um sonho ou não, mas junto dele, eu escutei alguém gemendo baixinho. Alguém que parecia chorar. Logo depois percebi que era uma oração, uma quase silenciosa prece.
          Só mais tarde fui saber que era minha mãe, rezando, no quarto ao lado. E os sinos? Bem. Desses eu não faço ideia. Eu não perguntei, mas tenho certeza de que minha mãe rezava para que eu melhorasse. Todos querem muito que eu melhore. Aliás, ninguém o quer mais do que eu. Eu não aguento mais isso. E não consigo deixar de me culpar pelo sofrimento que, indiretamente, causo a todos que amo. Minha mãe, meu pai, minha irmã, meus amigos, meu amor... ...sinto falta de conseguir expressar o afeto que sinto por todos eles.
          Já disse aqui o quanto a depressão te anestesia, te entorpece. As emoções positivas estão lá, mas não conseguem sair. A tristeza as sobrepuja. Nisso, você sente que suas relações se congelam. E parece que, se você não melhorar logo, elas derreterão, e desaparecerão para sempre. É desesperador. Você lembra com imenso saudosismo de todos os seus relacionamentos, como se eles estivessem longínquos, inalcansáveis.
          A parceria linda com minha irmã. Nós dois morando juntos, sempre dando tão certo. Era praticamente uma vidinha de casados, como diriam alguns. As cervejadas no fim de semana, com a Renata, a Larissa, a Tamyres. A minha implicância com a vizinha folgada. Parece tudo ter sido em outra vida.
          A cumplicidade com minha mãe. Parece ter ficado ali, perdida em algum lugar. Ela sempre viajava pra minha casa, pra relaxar, fugir da correria. Era tão bom! E eu sempre querendo leva-la na boite gay. Pena que não fomos.
          Meu pai. É inegável que já tivemos nossos desentendimentos e dissabores. Normal. Mas, definitivamente, ele me ama muito. Não que eu duvidasse disso, mas é que ele tem sido tão carinhoso, preocupado. Sinto que, apesar de estar doente, nós dois já superamos todas as nossas diferenças. Tenho certeza de que ele aceitaria que eu morasse com meu namorado em sua casa, se fosse pra me ver bem. Eu amo muito meu pai.
          Tomara que, se derretidas, essas relações não se evaporem.

          

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Desistes?

          



          Sim. Eu tenho medo da morte. Por isso, encaro o suicídio como um ato de coragem, extrema coragem. E não de covardia, como muitos dizem.Consideravelmente, é um gesto de fraqueza, pois pra se tentar dar cabo da própria vida, a pessoa deve estar verdadeiramente doente. Mas não por isso deixa de ser um gesto corajoso.
          Quem se mata não é um covarde. Não quer simplesmente aparecer ou "fazer drama". Muita dor já dilacerou a alma dessa pessoa. Ela já não aguenta mais tanto sofrimento. Ela só quer que toda a tortura mingue, e vá embora de vez. E quando todas as terapias, todas as anfetaminas e valiuns  já não mais adiantam, a vida não parece um preço muito caro a pagar. Deixe que o corpo vá, desde que a dor vá junto.
          Não é que eu esteja defendendo, fazendo apologia ao suicídio. Só estou dizendo que entendo, com um certo conhecimento de causa, quem tenta cometê-lo. Já tentei me matar, não nego. Mas, por Deus, não tive coragem o suficiente para consegui-lo.
          As pessoas que não entendem, talvez pensem que o suicida não leva em consideração aqueles que o amam, o quanto as faria sofrer, e tal. Mas essa não é exatamente a questão. A depressão é uma doença  muito traiçoeira. É como se você estivesse entorpecido. A tristeza é tão avassaladora e massacrante, que domina todos os outros sentimentos. O carinho, o amor, a alegria. Eles estão lá, mas a tristeza os sufoca. Em condições normais, é claro que ninguém faria nada que magoasse as pessoas que ama. Mas a depressão não é uma delas. 
          Se você não consegue nem mesmo se amar, vivendo numa sobre-vida; se essa faceta obscura dizima o seu verdadeiro eu; se você não mais se reconhece, se sente imensas saudades do seu "eu" de antes, aquele feliz, a sua morte não parece, a você, algo tão ruim. As pessoas não iriam sentir falta deste ser. E sim, do outro, do qual você também sente muitas saudades. Doentes, pensamos ser impossível nos livrarmos de um, sem que o outro vá junto.
          Quando estive doente, terapia ocupacional ajudava. Escrever e ouvir boa música também me faziam sentir-me melhor. Medicação constante e disciplina, para que os bons humores permitam-se sair, de onde foram obrigados a se esconder. O difícil é que nesse pique, não existem cartas-brancas.