quarta-feira, 17 de julho de 2013

Na sua cara!



          Outro dia me peguei discutindo com uma enrrustida, amiga da minha irmã. Chamemos ela, aqui, de Jabu. Não de jaburu, mas de jabuticaba. Rs. Seria indelicado revelar seu nome, ou mesmo, seu apelido.
          A discussão começou quando Jabu resolveu manifestar sua opinião (mesmo sem eu ter pedido) sobre eu ter colocado na minha página do Facebook, que estou em um relacionamento sério. Tudo bem que, pra ele ter me dado tal opinião, eu devo ter transparecido que dei liberdade, espaço. Mas, creio eu, que ele foi meio longe em suas deliberações.
          Ele tem seu modo de pensar, a respeito de assumir sua condição sexual, perante a sociedade. Eu tenho a minha. São díspares. É claro que iríamos discutir.
          Primeiro, ele veio me falar que achava feio eu colocar isso numa rede social, que aqui é uma cidade pequena, que as pessoas iriam falar, e tal. Eu procurei mostrar a ele que não tinha feito isso pra chamar a atenção. O fiz simplesmente porque eu e meu namorado entramos num consenso a respeito. E numa cidade pequena as pessoas sempre falam, seja você gay ou não. Há muito deixei de me preocupar deveras com isso.
          Jabu se desculpou, por estar parecendo intrometido, as acrescentou que, independentemente de eu ter uma opinião formada sobre o assunto, eu deveria pensar na minha família, que é o meu esteio. No que eles diriam, se ficariam chocados, e tal. Eu respirei, e respondi a ele novamente que minha intenção nunca foi atacar ou ferir ninguém. Só quiz  compartilhar com os que amo um dos motivos de minha felicidade.                 Deixei claro que as pessoas realmente importantes na minha família são meus pais e minha irmã. Minha mãe e minha irmã são super tranquilas a esse respeito. Meu pai mal sabe o que é Internet. Portanto, estava tudo bem.
          Não contente, a encubada novamente revidou, dizendo que, apesar de meu pai não conhecer Internet, ele era maçom. E seus amigos maçons tinham filhos , que conheciam a Internet, e que, de uma forma ou de outra, isso chegaria aos ouvidos de meu pai. Dessa vez eu suspirei duas vezes, fiz uma pausa de sete segundos, e lhe respondi da seguinte maneira: Eu sou gay, isso é fato. Meu pai não é completamente a favor disso, isso é outro fato. Mas se isso traz dissabor, o problema não é comigo. É com ele. E eu não me culpo por qualquer constrangimento.
          E outra. Não vejo muita diferença entre dizerem a meu pai, em tom de crítica: "Nossa, seu filho é viadinho!", ou "Nossa, seu filho viadinho assumiu na net que ta namorando!". Se for pra ficar incomodado, ele ficará de qualquer forma. Nessa hora, eu repeti a Jabu que não tinha feito nada pra causar.
          Outras frases foram trocadas, até que eu, internamente, me irritei, e disse que de nada adiantaria debatermos, já que não mudaríamos de opinião. Não transpareci me sentir incomodado, mas a verdade é que me senti, e esse texto é prova disso.
          É lindo que as pessoas tenham liberdade de manifestar suas opiniões, mas elas devem ter em mente aquela antiga frase, que diz que sua liberdade termina no exato ponto onde começa a liberdade do outro. É por não respeitarem a essa premissa é que hoje, tudo o que diz respeito aos homoafetivos permanece como tabu.

2 comentários:

  1. Muito interessante essa primeira postagem. Belíssima estréia.
    Espero pelo que virá a seguir.

    Jabu tem que entender que você vive a sua vida pra você, não fazendo mal contra ninguém, como você não fez. Se alguém se incomoda com isso, essa pessoa SE incomoda, ela incomoda ela mesma; você não tem nada a ver com o que ela sente a respeito do que você faz. E se ela não quer ver isso no face, que te exclua, desmarque ou oculte, então.

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    1. Muito bem, meu caro. É isso mesmo que penso. Já disse que não fiz nada pra atacar ninguém, ou chamar a atenção. o Facebook é um espaço pra pessoas compartilharem sua vida com aqueles que consideram amigos. É certo que fóruns de discussão podem ser abertos, mas as pessoas devem saber até onde ir, e de que forma abordar os assuntos.

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