Sim. Eu tenho medo da morte. Por isso, encaro o suicídio como um ato de coragem, extrema coragem. E não de covardia, como muitos dizem.Consideravelmente, é um gesto de fraqueza, pois pra se tentar dar cabo da própria vida, a pessoa deve estar verdadeiramente doente. Mas não por isso deixa de ser um gesto corajoso.
Quem se mata não é um covarde. Não quer simplesmente aparecer ou "fazer drama". Muita dor já dilacerou a alma dessa pessoa. Ela já não aguenta mais tanto sofrimento. Ela só quer que toda a tortura mingue, e vá embora de vez. E quando todas as terapias, todas as anfetaminas e valiuns já não mais adiantam, a vida não parece um preço muito caro a pagar. Deixe que o corpo vá, desde que a dor vá junto.
Não é que eu esteja defendendo, fazendo apologia ao suicídio. Só estou dizendo que entendo, com um certo conhecimento de causa, quem tenta cometê-lo. Já tentei me matar, não nego. Mas, por Deus, não tive coragem o suficiente para consegui-lo.
As pessoas que não entendem, talvez pensem que o suicida não leva em consideração aqueles que o amam, o quanto as faria sofrer, e tal. Mas essa não é exatamente a questão. A depressão é uma doença muito traiçoeira. É como se você estivesse entorpecido. A tristeza é tão avassaladora e massacrante, que domina todos os outros sentimentos. O carinho, o amor, a alegria. Eles estão lá, mas a tristeza os sufoca. Em condições normais, é claro que ninguém faria nada que magoasse as pessoas que ama. Mas a depressão não é uma delas.
Se você não consegue nem mesmo se amar, vivendo numa sobre-vida; se essa faceta obscura dizima o seu verdadeiro eu; se você não mais se reconhece, se sente imensas saudades do seu "eu" de antes, aquele feliz, a sua morte não parece, a você, algo tão ruim. As pessoas não iriam sentir falta deste ser. E sim, do outro, do qual você também sente muitas saudades. Doentes, pensamos ser impossível nos livrarmos de um, sem que o outro vá junto.
Quando estive doente, terapia ocupacional ajudava. Escrever e ouvir boa música também me faziam sentir-me melhor. Medicação constante e disciplina, para que os bons humores permitam-se sair, de onde foram obrigados a se esconder. O difícil é que nesse pique, não existem cartas-brancas.

Eu acho que talvez você devesse se desapegar um pouco do seu passado. Você não é mais exatamente aquela pessoa, então não tem por que supervalorizar aquilo. Até por que você provavelmente só lembra das partes boas, mas nada era perfeito naquela época, assim como nada o é agora.
ResponderExcluirDe qualquer forma, suicídio pode ser um pouco coragem, por que você vai contra o instinto de auto-preservação, que é uma coisa difícil. E por que você machuca as pessoas ao fazer isso. mas é uma coragem ruim, a coragem de fazer coisas ruins. O mesmo tipo de coragem que é preciso ter pra, digamos, assaltar um banco ou matar alguém. E tem muito mais de covardia, medo de viver o resto da vida e descobrir que não tem nada melhor no futuro. Mas também acho que pra uma pessoa se matar, ela pode estar querendo legitimizar sua dor, por que se você viver a sua vida inteira normal vai ser como se o sofrimento não significasse nada. Mas deixando um legado, na figura de um suicídio, seria uma prova da existência do sofrimento.
Mas no seu caso, eu acho que se você tirar a parte patológica, é possível perceber que não há motivos racionais e práticos pra sua dor.
Não quiz salientar isso, lindão. E em primeiro lugar, não tem como tirar a parte patológica, Quem se mata ou tenta fazer isso tem muito de patológico, e não há como desconsiderar isso. É só mesmo pras pessoas saberem como tratar melhor o assunto, não ridicularizarem os suicidas, e tals. Perceberem que há ali uma doença que precisa ser tratada.
ResponderExcluir